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09/07/2017
Compras compulsivas afetam 4% da população, afirma especialista


Compras compulsivas afetam 4% da população, afirma especialista

 Um vício pouco conhecido, silencioso e disfarçado de “irresponsabilidade com as finanças pessoais”, conhecida como oneomania, ou compulsão por compra, afeta cerca de 4% da população brasileira, mas ainda há poucos estudos que explicam essa doença, segundo comenta a psicóloga e especialista em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP), Mariana Rocha.

“No Brasil, o estudo é bem frágil e as pesquisas que existem são falhas. É possível que existam mais pessoas com o problema”, disse. Entre dívidas e problemas familiares, profissionais e sociais causados pela doença, os compradores compulsivos têm uma necessidade urgente e sem sentido por comprar. Geralmente não costumam usar os produtos que compram, e o sentimento de prazer obtido no momento da compra é facilmente substituído pelo de culpa horas depois. “No consultório, eles nem lembram mais o que compraram. É a mesma sensação de um viciado por comida ou drogas”, explicou.

De acordo com Mariana, as pessoas que sofrem com esse tipo de transtorno geralmente têm um déficit do neorotransmissor cerotonina, assim como na depressão. A oneomania atinge em sua maioria mulheres, cerca de 90%, que tem como maior compulsão a compra de roupas, sapatos, bolsas e acessórios. Já os homens com o problema costumam virar colecionadores, comprando antiguidades ou carros. Ainda segundo a psicóloga, ao contrair dívidas, os homens são os que costumam chegar ao extremo e cometer suicídio. Uma das características mais frequentes de quem tem o transtorno é ter mais do que pode pagar.

Os compradores compulsivos geralmente são pessoas endividadas e que, ainda assim, sempre encontram uma forma de permanecer adquirindo ainda mais produtos. “Eles fazem empréstimos para comprar ainda mais e até pagar as contas. Mas sempre acabam contraindo dívidas que supera, o poder aquisitivo. Eles mentem para encobrir as compras e até inventam doenças para pedir dinheiro emprestado a familiares”, explica Mariana.

Renata Cantalice tem 22 anos e, desde criança, quando era levada para as compras pela mãe, não sabia sair do comércio da cidade sem comprar algo. A estudante de Jornalismo adquiriu a doença com o passar dos anos, mas parecia algo normal até ela contrair uma dívida em lojas de roupas.

“Eu cresci e percebi que tinha virado uma compulsiva. Não conseguia sair sem levar uma roupa, um brinco, tinha que comprar algo. Até que virou uma bola de neve e, de tanto comprar, me endividei”, disse. A facilidade do uso do cartão de crédito foi o que mais agravou o problema. Mesmo sem dinheiro, ela utilizava os cartões para suprir o vício, mas não teve como pagá-lo.

“O cartão foi uma tristeza na minha vida, eu podia está sem dinheiro, mas passava tudo no caixa”, comenta Renata. A jovem nunca precisou mentir para a família, já que o problema começou ainda na infância. “Minha mãe até disse “minha filha, você chegou a esse ponto?”. Porque eu comprava, comprava e não podia pagar”. Após ser mãe as coisas mudaram e, atualmente, Renata vem se esforçando para se livrar do problema. “Depois que casei e tive a minha filha, acabei melhorando. Mas ainda é difícil. Se eu ver algum dinheiro, eu já coloco na minha cabeça que é para gastar e não consigo juntar dinheiro. Futuramente possa ser que eu procure tratamento se eu voltar a comprar compulsivamente, mas agora eu não pretendo”.

De acordo com a psicóloga, a maioria dos compradores compulsivos têm no histórico familiar alguém que tem algum tipo de vício. Alguns trocam vícios antigos, como em drogas ou comida, e acabam chegando a compulsão. A autoestima baixa também contribui e a compra acaba sendo um meio de se sentir melhor, mas é algo passageiro. Mariana conta que uma de suas pacientes, por exemplo, chegou a procurá-la por ter entrado em depressão pelo fato de precisar trocar um carro importado por um mais econômico. “Essa mulher tinha na faixa de 40 ano. Ela tinha um poder aquisitivo alto, mas gastou tudo em bolsas, roupas e sapatos para entrar na alta sociedade da cidade em que morava. Me procurou pela depressão, mas acabou descobrindo a doença”, disse.

Redação 






 
 
 



 

 

 

 

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