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29/01/2017
Idosos são vítimas de abuso financeiro na Paraíba. Denúncias representam 38,9% das ligações para o Disque 100


Dentre os diversos tipos de violência previstos em lei pelo Estatuto do Idoso, a violência patrimonial, ou abuso financeiro, alcançou, até junho do ano passado, 38,9% do número de denúncias realizadas através do Disque 100 do Ministério da Justiça e Cidadania. Essa categoria ficou atrás apenas dos índices de negligência (77,66%) e de violência psicológica (51,7%), porém foi mais recorrente que a violência física e maus-tratos (26,46%). Segundo a delegada do Idoso, Vera Lúcia Soares, na Paraíba, 90% dos casos registrados são referentes à violência patrimonial.

 

Segundo a Cartilha do Idoso, divulgada pelo Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI) do Governo Federal, a violência patrimonial é a exploração indevida da renda e apropriação do patrimônio do idoso. Alguns exemplos deste tipo de violência são: obrigar o idoso a contrair empréstimos contra a sua vontade, utilizar a renda do idoso para fins diversos do autorizado por ele, não permitir que o idoso decida sobre a destinação de sua renda e patrimônio, tomar posse dos bens do idoso ou deles dispor sem o seu consentimento. Lúcio Amaral (nome fictício), avô de Diego Amaral (nome fictício), foi administrador de engenho e envolveu-se em um relacionamento que acabou gerando violência patrimonial. “Era uma mulher casada, relativamente jovem e que tirava dinheiro dele. Ele sempre foi muito mulherengo e aí as mulheres se aproveitavam dele”, explica Diego. Mediante promessas de envolvimento sexual e cuidados, Lúcio entregava seu dinheiro para a mulher com a qual se envolvia e a família, inconformada com o abuso, observava ela usar o dinheiro para fins desconhecidos.

 

Segundo Diego, sua mãe e tia ameaçaram denunciar a mulher que se aproveitava de Lúcio, porém as ameaças irritavam o homem que já passava dos seus 70 anos. “Ele era bem resistente. A gente dizia que ela estava extorquindo ele e ele ficava com raiva da gente. Não se sabe se era ela que botava isso na cabeça dele”, relata. Por conta do risco de denúncia, a mulher afastou-se do avô de Diego, mas retornou pouco tempo depois. O Alzheimer contraído pelo idoso, entretanto, não permitiu que os abusos continuassem porque ele precisou ficar sob os olhares atentos da família.

 

Já Ruth Sobral, que trabalhou durante toda a vida como enfermeira e hoje é aposentada, também foi uma dessas pessoas que acabaram sofrendo por conta do abuso financeiro. Camila Sobral, sobrinha-neta de Ruth, conta que um outro parente realizava chantagens emocionais contra a idosa para que ela acabasse pagando o aluguel e outras contas dele por muitos anos. “E na cabeça da minha tia-avó, ela fazia isso por pura solidariedade, acho que ela nunca chegou a entender que eram abusos de fato”, explica a estudante de arquitetura.

 

Redação com CNDI






 
 
 



 

 

 

 

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