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20/09/2016
Infecções resistentes a antibióticos podem gerar crise financeira

A expansão das chamadas superbactérias, resistentes a todos os tratamentos médicos conhecidos, pode desencadear uma crise financeira similar, ou até pior do que a de 2008 - alertou um estudo do Banco Mundial publicado ontem (19/9).

Esse problema pode representar um custo de até US$ 100 trilhões globalmente em 2050. "Devemos saber que, a menos que seja enfrentado rapidamente e com seriedade, o problema da resistência aos antibióticos terá consequências desastrosas para a saúde humana e animal, para a produção de alimentos e para a economia global", advertiu a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan.

Intitulado "Doenças resistentes aos medicamentos: uma ameaça para nosso futuro econômico", o relatório analisa o que pode ocorrer, se os antibióticos e outros remédios antimicrobianos deixarem de surtir efeito.

A propagação das doenças levaria cerca de 28 milhões de pessoas para a extrema pobreza até 2050, especialmente nos países em desenvolvimento, indica o relatório.

"Em linhas gerais, o mundo mostra uma tendência de redução da pobreza extrema para 2030, aproximando-se da meta de menos de 3% da população vivendo nessa situação. Mas a resistência aos antibióticos põe em risco que se possa atingir esse objetivo", acrescenta.

Além disso, os países de menor renda podem perder mais de 5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) até 2050, e o volume de exportações no mundo pode se reduzir em 3,8% até esse mesmo ano, segundo as projeções.

"O aumento global nos custos da atenção em Saúde pode ser de entre US$ 300 bilhões e US$ 1 trilhão" por ano em 2050, afirma o estudo.

A produção de víveres também pode cair entre 2,6% e 7,5%, anualmente.

Esse problema será abordado nesta semana em uma sessão especial na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

"A dimensão e a natureza dessa ameaça poderiam nos levar a um retrocesso nos êxitos alcançados no desenvolvimento e poderiam nos afastar dos nossos objetivos de erradicar a pobreza extrema", ressaltou o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.

"Não podemos bancar os custos que representaria a inação, especialmente os países mais pobres. Devemos reagir com urgência para evitar essa crise potencial", alertou.

Redação com Banco Mundial





 
 
 



 

 

 

 

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